Um dos motes atuais das instituições do ensino superior, tanto nacionais como internacionais, é o da Inovação Pedagógica. Esta é apontada como o objetivo que deve orientar o trabalho docente, para potenciar o sucesso de cada estudante – seja no campus, numa futura profissão, ou ao longo do seu percurso de vida.

A adoção do Processo de Bolonha no espaço educativo europeu ajudou a criar o contexto ideal para a Inovação Pedagógica.

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O que é a Inovação Pedagógica

Mais do que um produto, a Inovação Pedagógica designa um processo. Para este processo concorrem fatores como docente, estudantes, pares, a instituição, o contexto e o tipo de inovação que é pretendida.

No geral, o processo de Inovação Pedagógica procura aumentar a eficiência do ensino em diversas vertentes:

  • Novidade
  • Mudança
  • Pedagogia e tecnologia
  • Reflexão
  • Melhoria
  • Aplicação
  • Inter-relação

 

Vídeo sobre o que á a Inovação Pedagógica

 

Aspetos-chave da Inovação Pedagógica

Para acolher e catalisar a Inovação Pedagógica, é necessário assumir um conjunto de princípios que lhe estão associados:

  • Reconhecer a agência dos estudantes – com a adoção do Processo de Bolonha, o foco na promoção de competências nos estudantes alia-se a uma mudança categórica de paradigma. Transita-se de um ensino transmissivo de conteúdos por uma figura de autoridade, e cuja avaliação de conhecimentos memorizados se faz mediante testes e exames, para um ensino instigador do desenvolvimento de competências transferíveis essenciais numa diversidade de esferas de vida. Este novo paradigma acolhe a construção do saber pelos próprios estudantes, bem como a sua autonomia, participação e autorregulação, e assenta na inter-relação próxima entre os vários intervenientes do processo de ensino-aprendizagem, facilitada pelo docente.

 

  • Abraçar um ensino que seja promotor da aprendizagem ativa – a aprendizagem, para acontecer, terá impreterivelmente de implicar a ação por parte de quem aprende. Assim, quando nos referimos ao conceito de aprendizagem ativa, não nos referimos tanto à aprendizagem, mas essencialmente ao ensino. É a forma de ensinar que fomentará ou não, em maior ou menor medida, que a aprendizagem (ativa) aconteça. Qualquer unidade curricular pode propiciar uma estrutura que sustente a aprendizagem ativa. No geral, a aprendizagem ativa engloba os processos de ensino catalisados pelo docente que, de uma forma deliberada, explícita e sistemática, devolve a cada estudante a sua agência nas aprendizagens.

 

  • Integrar as tecnologias digitais – ainda que a sua introdução nas aulas não seja sinónimo de Inovação Pedagógica, para que esta aconteça, não é possível rejeitar o uso das novas tecnologias digitais. Nas práticas pedagógicas, importa incluir o conhecimento entretanto produzido sobre as experiências de aprendizagem dos estudantes, de uma nova geração sociológica (geração Z), que agora chegam ao ensino superior. Ainda, é necessário integrar mecanismos de ensino, comunicação, colaboração e avaliação (síncronos e assíncronos) que reconheçam os novos media utilizados pelos jovens e a hiperconexão que parece caracterizar o seu perfil de interação. Contudo, para que os docentes possam integrar as tecnologias digitais nas suas unidades curriculares de uma forma plena e pedagogicamente deliberada, é crucial que se capacitem para utilizar estas tecnologias.

 

  • Agregar as vontades dos docentes – as pessoas envolvidas na Inovação Pedagógica são, por exemplo, docentes que cultivam uma atitude favorável ao ensino e à aprendizagem, e que desejam desenvolver a sua profissionalidade para ensinar mais eficientemente. Tais docentes aproximam-se e mantêm-se em rede, suscitada por interesses, necessidades e desafios partilhados, mas também por um entendimento comum sobre o que significa ensinar e aprender. A rede mantém-se entrelaçada pela reflexão e discussão sobre os diversos temas que compõem a identidade profissional e a prática docente, numa relação forjada pela confiança e pela partilha de curiosidades e questionamentos comuns. Um dos formatos de (auto)formação para o desenvolvimento profissional dos docentes com estas características designa-se de comunidade de aprendizagem e prática.

 

  • Investigar as próprias práticas pedagógicas – Uma vez que a Inovação Pedagógica depende, também, da abertura dos docentes para refletirem sobre as suas práticas pedagógicas, para as transformarem, é inevitável abordar a Indagação da Pedagogia (mais reconhecida pela sua designação em língua inglesa, Scholarship of Teaching and Learning). A Indagação da Pedagogia descreve o envolvimento de docentes – quer individualmente quer em comunidade – em processos que traduzem a investigação das suas práticas pedagógicas, e que incluem a reflexão sobre as suas práticas e a de seus pares, a discussão, a exploração e experimentação de transformações, assim como a avaliação do impacto de tais processos e publicação. A Indagação da Pedagogia cria o contexto ideal para cada docente repensar as suas práticas, de modo a acolher a Inovação Pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem.

 

Notas Adicionais

Os princípios elencados para a Inovação Pedagógica são identificados como essenciais também no trabalho desenvolvido pelo CLIL | Católica Learning Innovation Lab. Sendo um dos seus pilares a promoção da Inovação Pedagógica na Universidade Católica Portuguesa (UCP), estão em marcha ações que pretendem a formação e capacitação pedagógica da comunidade docente. Informação sobre algumas destas iniciativas – nomeadamente, a conferência All-Hands Call, o 1.º Ciclo de Workshops Pedagógicos, o mapeamento das práticas pedagógicas, e a constituição de Comunidades de Aprendizagem e Prática – podem ser encontradas no website do CLIL.